Pesca artesanal
Pescadores reivindicam datas flexíveis para abertura da safra
Pesquisador da Furg explica que demanda poderia ser avaliada para anos específicos, em que condições climáticas garantam entrada de água salgada desde o início da primavera
A possibilidade de alterar as datas para captura do camarão é demanda antiga dos pescadores artesanais. O coordenador do Laboratório de Crustáceos Decápodos da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Luiz Felipe Dumont, reconhece como legítima a reivindicação pelo defeso móvel, admite que pode ser boa medida em anos específicos, mas faz a ressalva: é preciso tratar o tema com cautela.
Dados do monitoramento realizado pelo laboratório permitem concluir que, na maioria dos casos, a entrada de larvas atrasa e ocorre mais próximo do verão - entre dezembro e janeiro -, o que gera a captura de camarões pequenos no início da safra. Com a flexibilidade nas datas e a atenção sobre a lagoa, em alguns momentos a safra só abriria em março ou abril - projeta o pesquisador. E faz o alerta: "Provavelmente, em alguns anos, nem abriria justamente por não cumprir a lei que estabelece o tamanho mínimo de captura de nove centímetros".
A antecipação da abertura, portanto, deve ser cogitada em situações muito particulares, em que uma conjunção de fatores climáticos e biológicos resulta na entrada adiantada das larvas nos berçários (leia mais na página ao lado). Luiz Felipe Dumont também aproveita para ressaltar que a captura de camarões grandes em novembro e dezembro, não raro, é composta por crustáceos residuais da safra anterior, que sobreviveram ao inverno enterrados no sedimento. Ao aumentar a temperatura da água com a proximidade do verão, saem da "hibernação" e tentam retornar ao oceano, quando são capturados na chamada 'safrinha'.
"Portanto, é importante não confundir camarões da safra anterior com o recrutamento do ano. Pode provocar uma falsa impressão de que os camarões do ano estão com tamanho comercial", explica.
O que diz a legislação brasileira
A captura de camarão está autorizada no estuário da Lagoa dos Patos entre o dia 1° de fevereiro e 31 de maio.
Frente Parlamentar da Pesca promove reunião segunda
A Procuradoria Geral do Estado e a Assembleia Legislativa seguem em tratativas para encaminhar recurso e tentar derrubar a liminar concedida, na última terça-feira, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza a pesca de arrasto na costa do Rio Grande do Sul. O governo gaúcho e a Assembleia querem restabelecer os efeitos da lei 15.22 - de 2018 - que institui a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e cria o Fundo Estadual da Pesca.
"Seguiremos defendendo a legitimidade da lei, fiscalizando para seu cumprimento e garantindo a sobrevivência de mais de 20 mil famílias profissionais artesanais que dependem desta atividade", reforça o presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Pesqueiro, deputado Zé Nunes (PT).
Com a pesca de rede de arrasto autorizada nas 12 milhas náuticas da faixa marítima, da zona costeira do Rio Grande do Sul, embarcações da frota industrial de Santa Catarina podem voltar a atuar com força e causar prejuízos aos trabalhadores do Estado. O tema entrará em pauta nesta segunda-feira, a partir das 10h, em encontro virtual.
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